Vespa do Castanheiro detetada pela primeira vez em Trás-os-Montes

A vespa do castanheiro foi detetada pela primeira vez na área de Trás-os-Montes, no concelho de Valpaços, suspeitando-se que a árvore infetada seja proveniente de um viveirista espanhol, disse fonte da direção regional de agricultura.

 

O responsável pela Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), Manuel Cardoso, afirmou hoje à agência Lusa que o caso detetado na zona de Carrazedo de Montenegro, Valpaços, está confirmado, mas que foi ainda notificado um outro caso, no concelho de Bragança, que ainda não foi confirmado.

"Isso significa que a informação que tem sido passada pelos serviços oficiais tem funcionado porque, se não, estes casos não eram detetados", salientou.

Está-se agora a determinar a proveniência das árvores infetadas, mas suspeita-se que tenha sido adquirida num viveirista em Espanha.

Segundo Manuel Cardoso, em Portugal está a ser feito um controlo rigoroso sobre os viveiristas por parte dos serviços oficiais. Cabe depois aos produtores fazerem a deteção nos respetivos soutos.

A vespa do castanheiro, que já dizimou a produção em Itália, foi detetada em Portugal no final de maio de 2014, obrigando a pôr em marcha um plano de controlo biológico.

"O que nós recomendamos é que o proprietário proceda ao corte das galhas afetadas e as queime no sentido de fazer com que todas as larvas existentes sejam destruídas", referiu Manuel Cardoso.

Neste momento não há ainda produtos químicos que possam ser usados com eficácia no combate à praga.

"É preciso que os próprios produtores estejam muito atentos e que comprem plantas apenas nos viveiristas que estejam devidamente credenciados", salientou Manuel Cardoso.

José Gomes Laranjo, presidente da Associação Nacional da Castanha -- RefCast e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), lamentou que muitos produtores "tenham feito ouvidos moucos" aos avisos e referiu que muitos "adquiriram castanheiros híbridos importados" e que é, nessas árvores, que "está o problema".

"A perigosidade é enorme. Temos um mês para atuar e se fizermos uma ação drástica durante este mês conseguiremos ainda minimizar o impacto desta cultura", afirmou à Lusa.

Explicou que durante este período será possível ver "os castanheiros infestados, mas a praga ainda não saiu do castanheiro para ir contaminar as árvores adultas que estão a dar fruto".

Esta vespa aloja os seus ovos nos gomos dos castanheiros. Só quando estes formam novos ramos é que se percebem as deformações e inchaços nas folhas. Depois de infetados, os ramos não conseguem dar mais fruto.

"Se nós deixarmos isto acontecer em dois, três anos os 50 milhões de euros que valem a castanha em Trás-os-Montes podem ser reduzidos a 10 milhões de euros. O drama que isto não vai ser", frisou.

José Gomes Laranjo lembrou que a região transmontana representa 80% da produção de castanha em Portugal.

"Isto é um oceano de castanheiros, uma mancha contínua e extremamente difícil de controlar", salientou.

Os associados da RefCast reúnem segunda-feira, em Vila Real, para analisar a situação desta praga em Portugal.

(fonte JN - 2015)

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